Jun 19 2010

O trem de cana

À toda a pressa vinha o trem de cana
Para alcançar o seu destino cedo
Travessou mata e contornou rochedo
Sempre na mesma disparada insana

E assim, veloz, passou junto ao penedo.
Porém, ao enfrentar a estrada plana
O trem descarrilhou como um brinquedo
Na perigosa curva da savana.

Eu mesmo fui olhar o trem no abismo.
E depois disso muitas vezes cismo:
- Há tanta gente que também se engana!

Cuidado amigo, que na tua estrada
Também podes em louca disparada
Descarrilhar como esse trem de cana.


Jun 19 2010

Ser enfermeira

A minha filha Cláudia, enfermeira do Hospital Bom Jesus, Ouro Preto do Oeste/RO.

Ser enfermeira é olhar a humanidade
Com gestos maternais. Ser enfermeira
É batalhar sem trégua e sem canseira
Contra o perigo e a dor da enfermidade.

Ser enfermeira é o anjo da Bondade
Que incansavelmente a noite inteira
Vive de cabeceira em cabeceira
Cheio de amor, de vida e de humildade.

Ser enfermeira é carregar no peito
Os gemidos que escuta em cada porta
Onde ela o alívio dá, de leito em leito.

Ser enfermeira é dar consolo ao triste;
Ser enfermeira é um vulto que conforta,
É outra mãe que aqui na terra existe.


Jun 19 2010

Acróstico

(À minha filha Rosângela, ao completar 15 anos de idade)

ROsângela, fiz hoje este soneto
Salpicado de versos dissonantes,
A fim de celebrar todos instantes
Neste dia que é teu tão predileto

Guarda-o, Fí-lo com o mais profundo afeto.
E bem sabes que há razões brilhantes:
Lentamente por trilhas cintilantes
Atingiste da vida o doce teto

Vais agora viver com mais fulgência!
Ingressaste na fase mais bonita
Estampada no livro da existência.

Invade os céus!… Procura nas quimeras!…
Remove-os!… E verás que nada imita
A beleza de quinze primaveras


Jun 19 2010

O sertão ao meio dia

Quando a cigarra canta é o sol que canta…” (Olegário Mariano)

Eleva-se um mormaço… A terra treme
Ao sol sobre os caminhos arenosos
Seus raios que parecem venenosos
Vão causticando a terra e a terra geme

Nenhum bulício. A natureza teme
O quadro de prenúncios perigosos:
Nem ao menos os galhos alterosos
Da potentosa baraúna freme

Do gado soam tristes os chocalhos;
A cigarra que chia entre galhos
Ressecos, quando o canto desamarra

Para todo o sertão incandescente,
Parece até que o sol fica mais quente,
Parece que o sol canta com a cigarra


Jun 6 2010

A gota de orvalho

Uma gota de orvalho amanhecera
Inquieta, numa pétala de rosa,
Tremeluzindo ao sol, esplendorosa,
Numa certa manhã de primavera.

Era um tesouro, sim, porque me dera
A impressão de uma pedra preciosa,
Quanta beleza oculta e misteriosa
A noite simplesmente ali pusera!

O homem, afinal, com a profundeza
Do seu saber, não produziu ainda
Uma gota assim, com a singular beleza

Dessa que vi em resplendores mil,
Depositada numa pétala linda
Numa certa manhã primaveril.

Dario Marques da Silva


May 28 2010

A fuga

O mar adentro em ritmo constante
Foge o nauta enfrentando a noite escura
Da terra se afastando a cada instante
Porque nela sofrera uma desventura

E quanto mais prossegue essa aventura
Menos o coração sente ofegante
Assim, quanto vez mais se vê distante
Menos sentindo vai essa amargura

Quando enfim nova terra vir surgindo
Esquece por completo a dor sentida
Naquela que deixara ao mar, fugindo…

Meu coração fugir também procura
Da mulher que deixou-me nesta vida
Como o nauta enfrentando a noite escura

Dario Marques da Silva


May 28 2010

A busca

Em pleno mar de rude tempestade
Segue o nauta perdido em noite escura
Atento lá na gávea, com ansiedade
O clarão fosco de um farol procura

E quanto mais ao céu a vista apura
Em busca de uma tênue claridade
Mais o mastro balouça… e sem piedade
As ondas cavam negra sepultura

O mastro oscila… A embarcação se inclina…
E o nauta aguça a vista que é perdida
Na escuridão que nunca se ilumina…

Em vão também meu coração procura
A mulher que me deixa nesta vida
Como o nauta perdido em noite escura

Dario Marques da Silva


May 26 2010

Saudações!

Olá!

Antes de mais nada, obrigado por sua visita!

Neste blog, publicarei algumas poesias de meu avô, Dario Marques da Silva.

Aqui estarão, principalmente, as poesias de seu livro, intitulado “Espumas Irisadas”.

Caso queira adquirir a obra impressa, acesse http://viniciusvieira.com/contact.php e preencha o formulário com seus dados, solicitando informações de aquisição da obra. Logo em seguida, farei contato com você.

Caso queira saber mais sobre o autor, clique no link “Sobre o autor”, na parte superior desta página.

Espero que goste!